Algumas curiosidades
Revistas e quadrinhos
As revistas de quadrinhos eram grandes, do tamanho de revistas “normais” – menos o Pato Donald, que era pequeno e da editora Abril, minoritária no segmento HQ. Alguns momentos e títulos inesquecíveis da vida em quadrinhos nos primeiros anos 70: Mirim e Globo Juvenil, Superman, Tarzan, O Herói, Reis do Faroeste e Pato Donald. No final do ano, todas as Editoras publicavam as esperadíssimas edições especiais de Natal ou Almanaques.
Alguns Lançamentos:
- Revista Patota, de São Paulo. Editada por Álvaro Pacheco, foi a primeira revista em quadrinhos com o melhor das tiras internacionais, como Peanuts, Hagar, etc.
- Revista Tex, da Editora Vecchi, com quadrinhos na linha faroeste, lançada em 1971.
- Revista Mandrake, da Saber. O mágico, é um personagem criado em 1934 por Lee Falk. Foi relançado em 1972 com sua eterna noiva Narda e seu assistente Lothar.
- Relançamento da Revista Fantasma, da editora Saber. O primeiro dos justiceiros mascarados, criado pelo mesmo autor. Mais tarde também teve o Álbum de Figurinhas do Fantasma.
- Gibi Semanal da Rio Gráfica, reunindo personagens variados, como Popeye, Brucutu, Tarzan, Spirit, Recruta Zero, Lucky Luke, Dick Tracy, Sir Tereré, O Mestre e Flash Gordon.
A Turma da Mônica
Em 1959, o então repórter policial Maurício de Souza, do jornal paulistano Folha da Manhã, criou uma série de tiras em quadrinhos com um cãozinho e seu dono – Bidu e Franjinha. Era o começo de uma transformação profissional que o levaria a criar, nos anos seguintes, os personagens (quase todos baseados na própria família) da Turma da Mônica: Cebolinha (1960), Cascão (1961) e Mônica (1963). Em 1970, as tiras de jornal transformaram-se afinal em revista, com uma tiragem de duzentos mil exemplares. Foi seguida, dois anos depois, pela revista Cebolinha e, nos anos seguintes, pelas publicações do Chico Bento, Cascão, Magali, Pelezinho e outras.
Terror e terrir
Desde o final dos anos 60 o subgênero terror em quadrinhos fazia enorme sucesso, com títulos como O estranho mundo de Zé do Caixão, Sexta-Feira 13, Lobisomen, Múmia e Histórias caipiras de assombração. Nessa fase surge nossa principal personagem de terror made in Brazil, a vampira Mirza, criação de Eugênio Colonnese. Sua revista durou apenas 10 edições, mas foi republicada nos anos 70.
O sucesso era tanto, na verdade, que atraiu a atenção da censura: a partir de 1972, as revistas de terror em quadrinhos entram para o triste submundo da censura prévia.
Com o terror censurado, o “terrir” começa a ganhar popularidade com títulos como Gasparzinho e Brasinha, de Alfred Harvey; Satanésio, de Ruy Perotti; e Penadinho, de Mauricio de Souza.
Figurinhas
Ainda não havia a figurinha autocolante – Goma Arábica ou, a grande novidade, a cola Tenaz (“Descole se for capaz!”), eram os recursos para os jovens colecionadores. O que, segundo um expert, foi a maldição – se a figurinha não fosse colada direito da primeira vez, adeus!
Alguns álbuns que marcaram lembranças:
- Álbuns de TV. Era chique para artistas televisivos aparecer em álbuns de figurinha. Novelas tinham álbuns próprios, mas atores e, apresentadores e programas também ganhavam os seus. O álbum Cavalo de Aço, 1973, ia além da novela – era um “álbum educativo”, com bandeiras dos países, trajes típicos e presidentes do Brasil.
- Álbuns de futebol. Em torno de 1970 e o tricampeonato houve uma verdadeira enxurrada: Brasil, Copa 70 Show e Campeonato Mundial Mexico-70. Mas também havia os álbuns dos campeonatos nacionais e estaduais, o muito cobiçado Futebol espetacular de 1972 e o Futebol dente de leite/Campeonato 69, que saiu em 1970.
- Disneylândia. Imagens do Reino Encantado original, o da Califórnia (1970).
- Mundo dos Animais. Esse clássico, lançado em 1973, se repetiria ao longo da década de até os anos 80. Consta que a figurinha da baleia era a mais difícil.
- Carros Famosos. De 1971, tinha toda a evolução do automóvel, mais modelos famosos e astros do automobilismo. Em 1973 saiu também o Show de Automóveis, na mesma linha.
- Em Curitiba havia o álbum das Balas Zequinha. A figurinha 10 era a mais difícil de encontrar.
Brinquedos e Brincadeiras
Brincar ainda queria dizer se mover – física e espiritualmente. Ainda se chamava pela imaginação e pelos joelhos para que nos guiassem além do limite, sem medo das consequências. As cidades ainda eram civilizadas, as vizinhanças conhecidas, e os espaços, razoavelmente abertos. Respirava-se. Via-se o sol e as estrelas. Havia árvores.
Clássicos da diversão: Bilboquê (bola de madeira presa por um barbante que tinha que ser encaixada num pino); carrinhos de rolimã; pega-varetas; balões ainda legais e feito com papel de seda ou jornal e cola doméstica, feita com água e farinha de trigo; jogos de rua e no pátio do recreio: pular amarelinha, pula-sela, queimada, salada mista (beijo, abraço ou aperto de mão); cinco Marias (cinco saquinhos cheios de arroz, jogava-se um para cima e tinha-se que pegar os que ficavam no chão).
Quando chovia nas férias: jogo do mico preto; que pena! (um jogo de tabuleiro que tinha uma tenebrosa carta que fazia o infeliz jogador voltar ao começo); xadrez chinês; monopólio/banco imobiliário; batalha naval (em bloquinhos sempre impressos em vermelho, C3! G6! M8! Água!)
As novidades: Playmobil, Pula Pirata, Pé na Tábua e os famosos Action Figures. No início da década já haviam os caubóis, índios e soldados dos dioramas da Guliver, mas em 1977 a Estrela lança um herói de verdade – o superguerreiro Falcon, versão brasileira do GI Joe da Hasbro americana. Falcon tinha cabelo e barba imitando os de verdade e olhos que se mexiam, e vinha inicialmente em versões moreno com barba e sem barba. Em 1978 ele passou a ser louro também.
Guloseimas
Chocolates - Em 1976 a Nestlé lança o Croquete, delícia intensamente incontrolável por vir em pequenos tubinhos de puro chocolate ao leite, mais substanciais que as moedinhas e cigarrinhos de chocolate e menos enjoativos que uma barra inteira. Outras guloseimas: Pralinete, Kri, Kibamba (recheado de marshmallow), Lingote e Krema (com caramelo); A Garoto tinha espessas barras: Dessert, e a partir de 1976, o Baton, que era exatamente isso, um bastãozinho de chocolate.
Biscoitos – Duchen; Zambinos da Elma Chips; Os “Vitaminados” da São Luiz; e as Grandes Estrelas: as bolachas Crek Crek , que já vinham “mordidas pelo monstro”.
Bebidas – Sukita, Brahma Soda Limonada, Pop Laranja da Antarctica, Groselha Vitaminada Milani e a famosa Coca Cola. Lançada no início da década, a Coca Cola resolve levar para as ruas a novidade da bebida Ready-mix: vendedores de uniformes vermelhos e brancos aparecem nas praias, shows e saídas das discotecas com um estranho aparato às costas, do qual emergia uma mangueira com uma torneirinha pressurizada. A idéia é que eles serviriam a Coca Cola “fresquinha”, misturada na hora. Mas era difícil o vendedor que conseguia mandar uma coca “na pressão”, certinha, sem parecer xarope com espuma por cima.
Balas, pirulitos e drops
Além dos tradicionais sabores morango, limão e laranja, a Kibon lança o infernal pirulito de chocolate, que era meio áspero, grudava no céu da boca e era, portanto, absolutamente irresistível; havia o Chucola; a bala Skate, bem comprida; O ugus da Suchard, caramelos em vários sabores, quadradinhos, danados para arrancar obturação. A grande novidade, contudo, eram as balas Pez – não por causa do gosto, que era de nada, mas pela embalagem, um tubinho quadradinho (como a bala) encimada por um bonequinho que lembrava aqueles do Lego. O charme era que a criaturinha era também o dispensador das balas, apertando a cabeça, saía uma bala embaixo. Outra estrela dos últimos 70 são as Balas de Leite Kids, aquela que era para pegar “quando o baleiro parar”.
Gomas de Mascar
A nascedoura mania fitness pode explicar o surgimento de um chiclete “bom para a saúde” – o Dentyne, que favorecia a limpeza dos dentes. Lançado com uma campanha de TV na qual um sujeito escovava os dentes à mesa do jantar num restaurante fino, o Dentyne foi um sucesso. Outro que pegou carona na onda esportiva foi o Freshen-up, em 1979, uma goma de mascar com recheio líquido nos sabores hortelã, tuti fruti e menta que ganhou fiéis consumidores entre surfistas e skatistas. Havia também o gigantesco chiclete Splash, um verdadeiro tijolão que inflava as bochechas de quem o mascava. E o Bollets, o pirulito que era chiclete.
O despertar da Televisão – um novo hábito nacional
Em 1970, o censo registra que 27% dos lares brasileiros possuem um televisor – 75% deles estão nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Em 1971, já é 31% o percentual de residências brasileiras com televisores. Um ano depois em 1972, graças ao frisson da Tv em cores, são 6 milhões e 250 mil aparelhos em uso no Brasil. Em 1974, existem quase 8 milhões de televisores no país, ocupando 43% dos lares. Em três anos apenas, o consumo de televisão dobrou no Brasil.
Alguns programas que fizeram história: Os Trapalhões; Topo Gigio; Linguinha x Mr. Yes; Vila Sésamo; O Globinho; Sharan, Xerife & Cia; A patota; Globo Cor Especial; Clube do Capitão Aza; Clube do Guri; Jardim Zoológico; Pluft, o Fantasminha; A Turma do Lambe Lambe; O sítio do Pica-Pau Amarelo; Os muppets; Mulher Maravilha; e o famoso National Kid. Criado no Japão em 1960, já havia sido exibido no Brasil, pela Tv Record, em 1966. Mas a série foi reprisada muitas vezes em outras emissoras. Em 1972, o herói da capa durona e capacete com anteninha, vindo de Andrômeda para salvar a Terra (ou pelo menos Tóquio...) estava na Globo. Era a companhia ideal para quem realmente habitava outra dimensão.






